quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Em resposta à coluna do jornalista Ricardo Boechat, no dia 24 de janeiro de 2008


Em resposta à coluna do jornalista Ricardo Boechat, no dia 24 de janeiro de 2008

Caríssimo Ricardo Boechat, antes de mais nada, gostaríamos de parabenizá-lo pela postura justa com que vem encaminhando os debates na sua coluna, prezando pela verdade dos fatos, sem deixar de expor sua própria opinião. Todavia, cremos que se faça necessária uma nota de esclarecimento em relação ao tópico “De matar” (O Dia, 24/01/2008, p.7), no qual se comentava a respeito do pedido encaminhado pela direção do Hospital Pedro Ernesto a fim de que proíba o desfile de blocos naquele trecho da Av. 28 de setembro. Segundo a nota, a atitude da direção se deve pelo fato de que o bloco “Saco do Noel” teria se concentrado durante vinte minutos na porta do hospital. Com base nisso, acreditamos que algumas considerações se fazem necessárias.

O cronograma do “Saco do Noel” prevê a concentração do bloco na praça Maracanã, em frente ao Planeta do Chopp, a partir das 18h, seguida do desfile pala Av. 28 de Setembro, das 20h às 22h, com um trajeto até a Rua Visconde de Abaeté, onde ocorre a dispersão. Durante o desfile, a avenida deve estar fechada em uma das pistas e o desfile durará em média uma hora e meia.

Como acontece há quatro anos, procuramos todos os meios legais para a realização do nosso evento, encaminhando os devidos ofícios à Sub-prefeitura, à Cet-Rio, à guarda municipal e ao Batalhão da PM. Além disso, insistimos em contar com a palavra do vereador Paulo Cerri de que todos os recursos humanos e técnicos necessários para o fechamento parcial da Av. 28 de setembro durante a realização do desfile seria providenciado. Entretanto, nem a Cet-Rio ou quaisquer dos órgãos competentes cumpriram aquilo que estava documentado e apalavrado.

Sendo assim, com mais de mil foliões, que saíram de suas casas com suas famílias para o evento apesar da chuva, entendemos que não poderíamos deixar de realizá-lo e, sobretudo, garantir a integridade física e moral dessas pessoas. E dessa forma, dispondo de nosso próprio esquema de apoio e da colaboração de voluntários, conseguimos realizar o desfile do bloco. É mister afirmar que toda essa reengenharia de planejamento gerou o atraso que nos causou tamanho infortúnio.

O que se passou, portanto, no percurso que abrangia a extensão do Hospital Pedro Ernesto foi não uma concentração, mas sim uma passagem tardia e lenta, devido à falta do suporte técnico, que nos foi assegurado pelos órgãos e autoridades competentes, para orientar a condução de milhares de pessoas em segurança.

Sabemos que isso não minimiza o infortúnio causado, sobretudo aos enfermos que ali se encontravam (muitos dos quais, ao longo de nossa trajetória carnavalesca, acenavam pra nós pelas janelas dos quartos), mas estamos conscientes de que a entrada ou saída de nenhum veículo de emergência foi prejudicada nessa passagem. Além disso, cremos que um diálogo com o hospital para que se trace um cronograma que atenda aos interesses de ambos seja possível, para que nosso bairro não perca em ambas as partes. Saúde e cultura podem caminhar juntas. Esse é o nosso desejo.


Diretoria do Bloco Pós-natalino e Pré-carnavalesco Saco do Noel.

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